domingo, 11 de agosto de 2024

PROCESSO DE INCLUSÃO SOCIAL DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

A CULTURA

Considerando a evolução de cada nação, e de todos os processos que cada uma delas vivenciou com a colonização e a miscigenação cultural, é possível afirmar que todos os países apresentam certa diversidade cultural. A ONU, em sua atuação em prol da educação, ciência e cultura através da Unesco, criou e colocou em prática a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural (2002), reafirmando o reconhecimento da existência de múltiplas culturas e que todas elas fazem parte de uma herança cultural da humanidade, devendo ser consolidada em benefício das gerações presentes e futuras.

    O documento explicita que “essa diversidade se manifesta na originalidade e na pluralidade de identidades que caracterizam os grupos e as sociedades que compõem a humanidade. Fonte de intercâmbio, de inovação e criatividade, a diversidade cultural é, para o gênero humano, tão necessária como a diversidade biológica para a natureza. Nesse sentido, constitui o patrimônio comum da humanidade, e deve ser reconhecida e consolidada em benefício das gerações presentes e futuras”.

O reconhecimento da diversidade cultural tem sido mais difundido nos contextos democráticos, uma vez que a pluralidade das identidades é vista também como um fator potencializador do desenvolvimento econômico, intelectual, moral, afetivo e espiritual de todas as pessoas e das comunidades. Os textos legais consideram que a acessibilidade dos espaços e das ações culturais devem estar em observância com o desenho universal, para que as pessoas com deficiência e outros públicos (idosos, gestantes e pessoas com impedimentos físicos temporários) sejam também beneficiados. O acesso sem barreiras é considerado em sua complexidade como necessário, para se garantir a efetividade de experiências facilitadoras e inclusivas.

    A Agência Nacional do Cinema (Ancine), por exemplo, divulgou normas e critérios que compõem a Instrução Normativa n.º 128/2016, ao dispor sobre a acessibilidade visual e auditiva para pessoas com deficiência em salas de cinema. De acordo com essa regulamentação, os exibidores são obrigados a fornecer equipamentos que permitam a esse público assistir a filmes, o que engloba recursos de legendagem, legendagem descritiva, audiodescrição e língua brasileira de sinais (Libras).

Outra alternativa que tem sido apresentada à população com deficiência são os projetos culturais com curadorias acessíveis, que desenvolvem projetos culturais, com a participação efetiva de representantes do público com deficiência, com o objetivo de criar linguagens e estratégias de acesso irrestrito, sob o ponto de vista do usuário.

Segundo Sarraf (2018), essa prática vem se desenvolvendo no Brasil, pioneiramente em museus e em centros culturais. Os museus e centros culturais que adotam essas práticas, criam vínculos de participação e de pertencimento, com e para as pessoas com deficiência, assim como se aproximam de sua missão maior, que é o desenvolvimento da diversidade cultural e humana.

Para a mesma autora, existe ainda no Brasil, um tímido conjunto de museus, exposições e programas de ação educativa, que organizam suas curadorias com o apoio de representantes de vários grupos sociais: pessoas com deficiência, idosos, crianças pequenas, jovens, populações do entorno ou comunidade em que estão inseridos.

Como um dos exemplos citados, destacamos o Programa Deficiente Residente, do Museu do Futebol, em São Paulo. Ele foi criado em 2010 para atender às demandas da equipe de educadores que ali trabalhavam e que solicitavam mais oportunidades de formação para o atendimento aos visitantes com diferentes deficiências. Após o desenvolvimento dessa estratégia inclusiva, foram organizadas apresentações, atendendo às especificidades trazidas pelos representantes de pessoas com deficiência visual, surdez, deficiência intelectual, física etc.

    Em relação à cultura da acessibilidade, percebe-se o desenvolvimento de uma conscientização no segmento cultural ao entrarem em contato com as necessidades específicas das pessoas com deficiência. Essa aproximação, seguida pelo desconforto frente à exclusão desse público, tem feito surgir iniciativas inovadoras. Além disso, é cada vez mais frequente presenciarmos a formação de grupos específicos ou inclusivos de dança, teatro, música, e outras manifestações artísticas, de excelente qualidade e de grande reconhecimento público, trazendo a confirmação de que as pessoas com deficiência estão assumindo definitivamente o protagonismo de suas vidas e contribuindo, de forma incontestável, para mudanças de valores sociais importantes, relacionados ao prazer e ao convívio com a diversidade no seu mais amplo sentido.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ANCINE (AGÊNCIA NACIONAL DE CINEMA). Instrução Normativa n. 128/2016. Dispõe sobre normas gerais e critérios básicos de acessibilidade visual e auditiva a serem observados nos segmentos de distribuição e exibição cinematográfica, 2016.

FURLANETTO, Ecleide C. Fronteira. In: FAZENDA, Ivani C. A. (Org.). Dicionário em Construção. São Paulo: Cortez, 2002.

SARRAF, Viviane P. Acessibilidade cultural para pessoas com deficiência: Benefícios para todos. Revista do Centro de Pesquisa e Formação, n.º 6, junho 2018.


domingo, 4 de agosto de 2024

ROBERTO CARLOS

 Roberto Carlos - Todos Estão Surdos (Áudio Oficial)



"Todos Estão Surdos" é uma música do cantor e compositor Roberto Carlos, lançada em 1971. A canção faz parte do álbum "Roberto Carlos" e tem uma mensagem forte sobre a falta de comunicação e entendimento entre as pessoas.

A letra aborda temas como o amor, a paz e a necessidade de escutar uns aos outros de maneira mais empática e verdadeira. A música é conhecida por sua mensagem de que muitas vezes as pessoas estão "surdas" para os problemas e sentimentos dos outros, mesmo quando falam a mesma língua.

Aqui está um trecho da letra de "Todos Estão Surdos":

Eu muito lutei, eu muito sofri

Mas hoje eu consegui

Me libertar daquela escuridão

Onde eu não ouvia nada

Só ouvia uma palavra

Que ninguém falava e só eu ouvia não

Ninguém ouvia a voz de um anjo triste

Que suplicava e eu estava ali

Eu estava ali e nunca desistia

Nunca, nunca, nunca, nunca desistia, não


Jesus Cristo ensinou

A gente a pedir perdão

Mas perdoar que é bom

Ninguém, ninguém quis não


Hoje, mesmo quando fala, todo mundo mente

Tudo muda, simplesmente, pro seu próprio bem

Todo mundo se entende, mas ninguém se entende

Na verdade, ninguém sente o que finge sentir


Jesus Cristo ensinou

A gente a pedir perdão

Mas perdoar que é bom

Ninguém, ninguém quis não


A música é um chamado à reflexão sobre como podemos ser mais atentos e compreensivos com os outros, escutando de verdade o que têm a dizer.

sábado, 3 de agosto de 2024

OS SURDOS

 Os surdos têm voz


                                           

A sociedade sempre chama os surdos de mudos. Por quê?

Existem surdos-mudos, mas uma condição não é inevitavelmente associada à outra. Vale pensar em tudo o que é inacessível a uma pessoa que não ouve, e ter muito cuidado com atitudes do cotidiano que podem dificultar a integração.

domingo, 28 de julho de 2024

POEMAS

 A Diferença

    Dois homens passeiam juntos, enamorados. Assim, duas mulheres. Negros, orientais, crianças. A beleza da diferença, contada em poema de Alan Henry, em Libras, baseado na música “La Différence”, de Lara Fabian (para ver letra e tradução). “Como eles não estão nem aí para suas injúrias, eles preferem o amor, sobretudo a verdade, do que nossos murmurios”.




Mundo Melhor

    Da parceria firmada entre Alfredo da Rocha Vianna Filho, o célebre Pixinguinha (um dos principais nomes da música popular brasileira, nascido em 1897), e Vinicius de Moraes, surgiu a canção “Mundo Melhor”, eternizada nas vozes de Elizeth Cardoso, Beth Carvalho, Elza Soares e de vários(as) outros(as) cantores(as) do país. 



sábado, 27 de julho de 2024

ANIMES FILMES

 Qual é o nome do anime que a menina é surda?

    O anime que você está se referindo é provavelmente "Koe no Katachi" (A Silent Voice, em inglês). A história gira em torno de uma menina surda chamada Shouko Nishimiya e aborda temas como bullying, amizade e redenção.



'A Sign of Affection': o romance da jovem surda que conquistou o Japão.



    "A Sign of Affection" (ou "Yubisaki to Renren" no título original em japonês) é um mangá que também aborda a história de uma jovem surda. A trama gira em torno de Yuki, uma estudante universitária surda, e sua relação com Itsuomi, um colega de classe que começa a aprender a língua de sinais para se comunicar com ela. O mangá explora temas de amor, comunicação e compreensão entre pessoas com diferentes formas de experimentar o mundo.



quinta-feira, 18 de julho de 2024

ACESSIBILIDADE PARA SURDOS

 A NBR 15599/ 2008 - Acessibilidade - comunicação e prestação de serviço para surdos?



A NBR 15599/2008 inclui diretrizes específicas para garantir que a comunicação e a prestação de serviços sejam acessíveis para pessoas surdas. A seguir, apresento um resumo das principais diretrizes voltadas para a acessibilidade de pessoas surdas:

Diretrizes para Comunicação e Prestação de Serviços para Surdos

  1. Interpretação em Libras:
    • Disponibilização de intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais) em pontos de atendimento presencial.
    • Facilitação do acesso a serviços de intérprete de Libras, seja por meio de intérpretes presenciais ou por videoconferência.
  2. Treinamento de Funcionários:
    • Capacitação de funcionários para atender adequadamente pessoas surdas, incluindo noções básicas de Libras.
    • Sensibilização dos funcionários sobre a importância da comunicação acessível e inclusiva.
  3. Tecnologia Assistiva:
    • Uso de tecnologia assistiva, como dispositivos de amplificação sonora e sistemas de legenda em tempo real.
    • Implementação de recursos de vídeo em Libras em websites e outras plataformas digitais.
  4. Atendimento Telefônico:
    • Sistemas de atendimento telefônico que incluam opções de comunicação para surdos, como serviços de tradução simultânea por texto (chat) e vídeo.
    • Utilização de tecnologias como o TDD (Telecommunication Device for the Deaf) e serviços de intermediação de comunicação por vídeo.
  5. Material Informativo:
    • Produção de materiais informativos e de publicidade em formatos acessíveis, incluindo vídeos em Libras e textos com leitura fácil.
    • Utilização de pictogramas e outros recursos visuais que facilitem a compreensão por parte de pessoas surdas.
  6. Ambientes Acessíveis:
    • Sinalização visual clara e de fácil compreensão em ambientes físicos, como hospitais, bancos, escolas, entre outros.
    • Disponibilização de informação escrita e visual sobre os serviços oferecidos e sobre a localização dos intérpretes de Libras.

Implementação e Monitoramento

Para garantir a eficácia das diretrizes, é essencial:

  • Avaliar continuamente a acessibilidade dos serviços e implementar melhorias conforme necessário.
  • Coletar feedback das pessoas surdas sobre a qualidade do atendimento e da comunicação oferecida.
  • Promover campanhas de conscientização e treinamentos regulares para funcionários e gestores sobre acessibilidade e inclusão.

A aplicação dessas diretrizes ajuda a assegurar que pessoas surdas possam acessar serviços e informações de maneira independente e eficaz, promovendo a inclusão e a igualdade de oportunidades.

Para obter o texto completo da NBR 15599/2008, você pode consultar o site da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou adquirir a norma diretamente através de repositórios oficiais de normas técnicas.

INTERNALIZAÇÃO DO PENSAMENTO POR IMAGENS

  Internalização do Pensamento por Imagens e Conceitos Espaciais para surdos? Esta é uma pergunta brilhante, pois corta o viés "fonoc...