quarta-feira, 19 de junho de 2024

SINTAXE DE LIBRAS

 O que é sintaxe?


  • Sintaxe é o estudo da estrutura interna da frase.

  • Diferente da língua portuguesa, a sintaxe da LIBRAS é estudada a partir da organização dos sinais no espaço.


Tipos de frases na LIBRAS


Na LIBRAS podemos construir quatro tipos de sentenças:


Negativas;

Afirmativas;

Interrogativas;

Exclamativa.




A diferença entre as sentenças na LIBRAS só é percebida pela utilização de expressões não-manuais.


Forma Afirmativa (expressão facial neutra)


  • EU CASAD@



Forma Interrogativa (Sobrancelhas franzidas e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima)


  • VOCÊ CASAD@?



Forma Exclamativa (sobrancelhas levantadas e um ligeiro movimento da cabeça inclinando-se para cima e para baixo)


  • CAMISETA BONIT@



Forma Negativa


Na negação o elemento negativo aparece no final da frase.



Panorama da ordem das palavras

A ordem das palavras é o conceito básico relacionado à estrutura da sentença de uma língua. A ideia de que as línguas podem apresentar diferentes ordens básicas teve um papel significativo na análise linguística. Por exemplo, Greenberg (1966) observou que das seis combinações possíveis de sujeito (S), de objeto (O) e de verbo (V), determinadas ordens de palavras são muito mais comuns do que outras. As línguas frequentemente permitem diversas ordens, mas Greenberg observou que mesmo que essa variação exista, geralmente cada língua tem uma única ordem de palavras dominante. De acordo com ele, a ordem dominante pode ser SOV, SVO ou VSO. Ele observou que a ordenação dos elementos tende a ser consistente, isto é, uma língua VO terá o objeto após a preposição, enquanto uma língua OV terá a ordem

oposta, objeto e então preposição.

    Essas generalizações foram formalizadas no desenvolvimento da teoria X-barra (Jackendoff, 1977; Chomsky, 1981). Em termos da teoria X-barra, “o sistema da estrutura da sentença para uma língua particular é amplamente restringido à especificação dos parâmetros que determinam a ordenação núcleo-complemento, núcleo-adjunto e especificador-núcleo” (Chomsky e Lasnik, publicados primeiramente em 1993, e posteriormente em 1995:53). O núcleo pode ocupar uma posição final, como em línguas tais como o alemão, ou uma posição inicial, como nas línguas tais como o português. Esse é o ‘parâmetro do núcleo’, isto é, línguas são tanto de núcleo inicial como de núcleo final.

    Além do termo ordem ‘básica’ das palavras, os termos ordem ‘canônica’ e ordem ‘subjacente’ das palavras são também usados para descrever a ordem em diferentes línguas. Dos estudos tipológicos aos estudos formais, nós vemos uma distinção entre ordem ‘básica’ ou ‘canônica’ e ordem ‘subjacente’ das palavras. A primeira é relacionada à ordem das palavras de superfície em uma língua. Como mencionado antes, Greenberg observou que algumas ordens de palavra parecem ser dominantes nas línguas do mundo e é, por esta razão, que são chamadas ‘básicas’ ou canônicas’. Em toda a língua particular, a decisão para rotular uma ordem particular como dominante é baseada na ordem de palavras de orações simples não-marcadas.

    Por outro lado, a ordem ‘subjacente’ é aquela que é gerada na estrutura profunda da sentença. A ‘estrutura profunda’ é a estrutura nua no sentido de Chomsky (1965), isto é, a estrutura antes que todas as transformações lhe sejam aplicadas. A 15 estrutura profunda não corresponde obrigatoriamente à forma do que é pronunciado (isto é, a estrutura de superfície). Com o desenvolvimento da teoria X-barra (Chomsky,1981), a estrutura profunda (D-structure) transformou-se em um nível abstrato da sintaxe que relaciona o sistema computacional e o léxico; assim, é uma ‘interface interna’. A variação na ordem das palavras será expressa pelo componente fonológico, em que os elementos na estrutura são pronunciados. Nesse nível do sistema computacional da língua, nós observamos o resultado das transformações em diferentes derivações. Isso nos dá as possíveis ordens de palavras permitidas pela língua. A ordem de palavras ‘subjacente’, nesse sentido, é relacionada ao parâmetro mencionado antes, o parâmetro do núcleo. A(s) ordem(ns) ‘subjacente(s)’ é (são) aquelas a que as operações se aplicarão. Por exemplo, a ordem de palavras subjacente’ de uma sentença topicalizada será uma em que não há nenhuma topicalização. Veja as glosas abaixo com exemplos:


Ordem subjacente em LIBRAS de uma estrutura com tópico

JOÃO COMPROU CARRO


Ordem derivada

<CARRO>top JOÃO COMPROU


        A variação na ordem de palavras é tanto o resultado das diferentes derivações que estão sendo permitidas por línguas diferentes, como de diferentes ajustes do parâmetro do núcleo.

       A finalidade desta seção é analisar a ordem de palavras subjacente na língua de sinais brasileira como uma parte de sua estrutura da sentença. É importante saber o que a ordem subjacente é capaz de analisar mudanças da ordem de palavras dessa língua (as mudanças que serão analisadas nas seções seguintes dessa disciplina). A variação na ordem de palavras é determinada por operações sintáticas que são motivadas por relações semânticas e fonológicas, isto é, os componentes PF (interface fonológica) e LF (interface semântica).

      Nós veremos que a língua brasileira de sinais mostra flexibilidade na ordem das palavras. Consequentemente, determinar a ordem básica dessa língua não é assim trivial.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


JACKENDOFF, R. (1977) X Sintax: A Study of Phrase Structure. The MIT Press, cambridge. Massachusetts and London.


CHOMSKY, N. (1965) Aspects of the Theory of Syntax. MIT Press. Cambridge, Massachusetts.


CHOMSKY, N. (1981) Lectures on Government and Binding. The Pisa Lectures. Foris Publications. Dordrecht.


CHOMSKY, N.; LASNIK, H. Principles and Parameters Theory. In: GRUYTER, Walter de (ed.). Syntax: An International Handbook of Contemporary Research. Berlin, 1993.


QUADROS, R. M. de &amp; KARNOPP, L. Língua de sinais brasileira: estudos lingüísticos. ArtMed: Porto Alegre, 2004.


terça-feira, 18 de junho de 2024

ESTRUTURA GRAMATICAL

QUAL É A ESTRUTURA GRAMATICAL DE LIBRAS?


    A Libras tem uma estrutura linguística própria, com verbos, advérbios, pronomes, quantificadores, intensificadores, entre outros. Ela tem uma gramática com regras próprias que não seguem as mesmas regras da língua portuguesa. Um exemplo disso é que em Libras não utilizamos conectivos e nem conjunções.




segunda-feira, 17 de junho de 2024

ASSOCIAÇÕES DE SURDOS

 O que é associações de surdos?


Associações de surdos são organizações formadas por indivíduos surdos e seus apoiadores, cujo principal objetivo é promover os interesses, direitos e bem-estar da comunidade surda. Essas associações desempenham diversos papéis importantes, que podem incluir:


Defesa de Direitos: Elas trabalham para garantir que os direitos dos surdos sejam respeitados e protegidos em áreas como educação, emprego, acesso a serviços de saúde e participação na sociedade em geral.


Promoção da Cultura Surda: As associações de surdos muitas vezes promovem a língua de sinais e a cultura surda, ajudando a preservar e fortalecer a identidade cultural surda.


Fornecimento de Recursos: Elas podem oferecer uma variedade de recursos e serviços para a comunidade surda, como aulas de língua de sinais, programas de apoio emocional, assistência na busca de emprego e acesso a tecnologias de assistência.


Organização de Eventos e Atividades: Essas associações frequentemente organizam eventos, conferências, workshops e atividades sociais para promover a comunicação, a integração e o empoderamento dos surdos.


Educação e Conscientização: Elas trabalham para aumentar a conscientização sobre questões relacionadas à surdez e à comunidade surda, tanto entre os surdos quanto entre a população em geral.


Em resumo, as associações de surdos desempenham um papel vital na defesa dos direitos, na promoção da cultura e na prestação de apoio à comunidade surda, ajudando a garantir que os surdos tenham acesso equitativo a oportunidades e recursos.

sexta-feira, 14 de junho de 2024

SURDO OU DEFICIENTE AUDITIVO

 É certo falar surdo ou deficiente auditivo?


A terminologia correta e preferida pode variar dependendo do contexto e das preferências individuais da comunidade. No entanto, aqui estão algumas orientações gerais:


Surdo

Comunidade Surda: Muitas pessoas que se identificam como membros da comunidade surda preferem o termo "surdo". Este termo é associado com uma identidade cultural e linguística, valorizando a língua de sinais (como Libras no Brasil) e a cultura surda.

Identidade Positiva: O termo "surdo" é visto de maneira positiva dentro da comunidade surda e é um reconhecimento de uma identidade distinta e rica.

Deficiente Auditivo

Termo Médico: "Deficiente auditivo" é um termo mais técnico e médico que se refere à perda parcial ou total da audição. É frequentemente usado em contextos clínicos e burocráticos.

Preferências Individuais: Algumas pessoas com perda auditiva podem preferir ser chamadas de "deficientes auditivos", especialmente se não se identificarem com a cultura surda e não utilizarem a língua de sinais.

Recomendações

Pergunte e Respeite: A melhor prática é perguntar à pessoa qual termo ela prefere e respeitar essa escolha. A terminologia pode ser pessoal e variar significativamente.

Contexto: Considere o contexto. Em ambientes educacionais e culturais, "surdo" pode ser mais apropriado, enquanto em contextos médicos e legais, "deficiente auditivo" pode ser mais comum.

Conclusão

O termo "surdo" é geralmente preferido e valorizado dentro da comunidade surda por seu reconhecimento da identidade cultural e linguística. No entanto, é importante respeitar as preferências individuais e usar a terminologia que a pessoa considera adequada para si.


quinta-feira, 13 de junho de 2024

INCLUSÃO EDUCACIONAL DO SURDO

 Como se deu o processo de inclusão educacional do surdo?


O processo de inclusão educacional das pessoas surdas no Brasil é marcado por diversas fases e legislações importantes. Aqui está um resumo do desenvolvimento desse processo:


1. Início da Educação para Surdos no Brasil

1857: Fundação do Instituto Imperial de Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), no Rio de Janeiro. Este foi o primeiro passo para a educação formal dos surdos no Brasil, utilizando a língua de sinais francesa como base.

Século XIX e Início do Século XX: Predomínio do método oralista, que enfatizava a leitura labial e a fala, muitas vezes em detrimento da língua de sinais.

2. Reconhecimento e Valorização da Língua de Sinais

1988: A nova Constituição Federal do Brasil reconheceu a educação como um direito de todos e a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.

1990: Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) reforçou o direito à educação e à inclusão das crianças e adolescentes com deficiência.

3. Legislação e Políticas Públicas

Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) - 1996: Estabeleceu o atendimento educacional especializado para estudantes com deficiência, incluindo surdos, preferencialmente na rede regular de ensino.

Lei nº 10.436/2002: Reconheceu a Libras como meio legal de comunicação e expressão da comunidade surda no Brasil. Essa lei foi um marco na valorização da língua de sinais e na promoção da inclusão educacional.

Decreto nº 5.626/2005: Regulamentou a Lei nº 10.436/2002, determinando a obrigatoriedade do ensino de Libras nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia, e a inclusão de intérpretes de Libras nas escolas e universidades.

4. Desenvolvimento de Programas e Ações de Inclusão

Salas de Recursos Multifuncionais: Implantação de salas equipadas com materiais e recursos pedagógicos para apoiar a inclusão de estudantes com deficiência nas escolas regulares.

Formação de Professores: Capacitação de professores para trabalhar com alunos surdos, incluindo cursos de Libras e estratégias pedagógicas específicas.

Intérpretes de Libras: Presença de intérpretes de Libras em salas de aula e eventos escolares para facilitar a comunicação entre alunos surdos e ouvintes.

5. Avanços e Desafios Atuais

Inclusão Efetiva: A inclusão de alunos surdos nas escolas regulares é uma realidade, mas ainda enfrenta desafios como a falta de professores capacitados, a ausência de intérpretes em número suficiente, e a necessidade de materiais didáticos acessíveis.

Educação Bilíngue: Crescente reconhecimento da importância da educação bilíngue, onde Libras é a primeira língua e o português escrito é a segunda língua dos alunos surdos.

Conclusão

O processo de inclusão educacional das pessoas surdas no Brasil tem avançado significativamente, com importantes marcos legais e políticas públicas que valorizam a Libras e promovem a inclusão. No entanto, há desafios contínuos que precisam ser enfrentados para garantir uma educação verdadeiramente inclusiva e de qualidade para todos os alunos surdos.

 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

COR AZUL SURDO

 Qual a cor do dia do surdo?


A cor associada ao Dia do Surdo é o azul-turquesa. Essa cor foi escolhida em homenagem ao movimento das comunidades surdas em todo o mundo e é usada para simbolizar a luta e a identidade das pessoas surdas. No Brasil, o Dia Nacional do Surdo é comemorado em 26 de setembro, e muitas celebrações e campanhas de conscientização utilizam o azul-turquesa como símbolo. 




Porque azul surdo?


A escolha do azul-turquesa como a cor símbolo do movimento surdo tem uma história significativa:


Símbolo de Identidade e Resistência: O azul-turquesa foi adotado como símbolo de orgulho e resistência pela comunidade surda. Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas usavam uma faixa azul para identificar e discriminar pessoas com deficiência, incluindo surdos. Posteriormente, a comunidade surda ressignificou essa cor, transformando-a em um símbolo de orgulho e identidade.


Reconhecimento Internacional: O azul-turquesa é amplamente reconhecido internacionalmente como a cor representativa da comunidade surda. A escolha dessa cor busca promover a conscientização sobre a cultura e os direitos das pessoas surdas.


Campanhas de Conscientização: O uso do azul-turquesa em campanhas e eventos relacionados à comunidade surda ajuda a unificar e fortalecer a visibilidade da causa, facilitando o reconhecimento e o apoio à luta pelos direitos e inclusão das pessoas surdas.


Dessa forma, o azul-turquesa serve como um poderoso símbolo de luta, identidade e orgulho para a comunidade surda, tanto no Brasil quanto em outras partes do mundo.

 

terça-feira, 11 de junho de 2024

LÍNGUA OU LINGUAGEM?

"Libras: língua ou linguagem?"


Libras (Língua Brasileira de Sinais) é uma língua, não uma linguagem. Há uma diferença importante entre esses termos:


Língua: É um sistema de comunicação estruturado, com gramática própria, sintaxe e semântica. É um conjunto de sinais ou símbolos usados para comunicação dentro de uma comunidade específica. Libras, assim como outras línguas de sinais, possui regras gramaticais próprias, uma sintaxe definida e um vocabulário que permite expressar uma ampla gama de ideias e conceitos, assim como qualquer outra língua falada.


Linguagem: É um termo mais amplo que abrange qualquer meio de comunicação, incluindo a linguagem corporal, a linguagem de programação, entre outras. A linguagem pode ser verbal ou não verbal e não precisa ter um sistema gramatical estruturado como as línguas.


Portanto, Libras é considerada uma língua porque possui todas as características de uma língua, incluindo um conjunto de regras gramaticais, uma sintaxe e uma semântica específica.


INTERNALIZAÇÃO DO PENSAMENTO POR IMAGENS

  Internalização do Pensamento por Imagens e Conceitos Espaciais para surdos? Esta é uma pergunta brilhante, pois corta o viés "fonoc...